A representação dos manicômios na telona

Wagner Emerich – 27/05/09

Um dos filmes do cinema brasileiro mais comentados sobre o tema é “O Bicho de Sete Cabeças”, estrelado por Rodrigo Santoro e dirigido por Laís Bodanzky. Ele foi inspirado em uma história real e mostra muito bem como é a realidade de muitos hospitais psiquiátricos no país. O filme é baseado no livro de Austregésilo Carrano Bueno, “Canto dos Malditos”, onde ele conta sua experiência nos hospitais psiquiátricos e denuncia os absurdos cometidos diariamente nessas instituições.

Com 17 anos, Austregésilo era usuário de maconha e outros medicamentos de uso restrito. Quando seu pai encontrou alguns cigarros de maconha no bolso de sua jaqueta, resolveu interná-lo em um hospital psiquiátrico para tratar o vício do filho. Em um período de três anos, Austregésilo foi transferido de um hospital a outro sem ao menos ter sido examinado, e submetido a torturas e eletrochoques (totalizando 21 sessões). Isso durou até que, desesperado, ateou fogo em sua própria cela, sendo retirado a tempo. O ato despertou seu pai, que o tirou do manicômio. Desajustado pelos eletrochoques, pela sedação pesada e pelas torturas variadas, ele acabou sofrendo também nas mãos da polícia, que lhe proporcionou doses extras de humilhação e espancamento.

Austregésilo foi o representante nacional da luta antimanicomial e no dia 28 de maio de 2003 foi homenageado pelo Ministério da Saúde e pelo presidente Lula, por sua luta e empenho na Construção da Rede Nacional de Trabalhos Substitutivos aos Hospitais Psiquiátricos no Brasil.

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