Luta Antimanicomial: uma questão de cidadania

Wagner Emerich – 27/05/09

Dia 18 de Maio foi comemorado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Em Juiz de Fora, entre os dias 15 e 20, foram realizadas exposições e comemorações pela data. A banda Os Impacientes, formada por portadores de distúrbios mentais que frequentam o Centro de Convivência Recriar, participou dos eventos. Mas muita gente ainda não sabe o motivo da luta e não conhece os problemas enfrentados por um portador de transtornos mentais.

A data surgiu para esclarecer e mostrar à sociedade a necessidade de humanizar o tratamento aos doentes mentais e reivindicar implantação de serviços de saúde mental em substituição aos hospitais psiquiátricos. Foi escolhida por ser o dia da fundação de um dos maiores hospitais psiquiátricos do país, o Juquery de Franco da Rocha, localizado no Estado de São Paulo, que representa o processo de isolamento social, tratamento degradante e segregação do paciente do seu meio social.

Foto de Claudio Edinger, tirada em 1990 em Franco da Rocha

Foto de Claudio Edinger, tirada em 1990 em Franco da Rocha

O movimento antimanicomial no Brasil começou a partir da década de 70 e nasceu a partir de trabalhadores da área de saúde mental, familiares e dos próprios usuários, indignados com o tratamento que era dado aos internos. Vários casos de maus tratos, descaso e até morte de pacientes internados começaram a se tornar frequentes em todo o país. A partir daí, começou-se uma longa discussão que dura até hoje, sobre como diminuir a quantidade de internação nos manicômios. A psicóloga Lia Márcia Emerich Breder explica que evitar a internação de pacientes é “uma questão de cidadania, de fazer valer o direito do cidadão, de deixar o paciente se colocar como sujeito de sua própria vida”. A psicóloga também ressalta que o grande problema da internação em hospitais psiquiátricos é que elas se tornaram um meio de isolar o paciente do resto da sociedade, e não efetivamente tratá-lo.

Uma das alternativas utilizadas hoje em dia é o Centro de Atenção Psicossocial, CAPS. Os CAPS são unidades de atendimento intensivo e diário aos portadores de sofrimento psíquico grave e permitem que os usuários permaneçam junto às suas famílias e comunidades. Neles, os pacientes desenvolvem, além do tratamento psicológico e psiquiátrico, atividades terapêuticas e suas famílias também recebem apoio. E isso ajuda bastante na redução da necessidade de internação. No CAPS de Manhuaçu, por exemplo, em 2000, quando o serviço ainda não existia, foram feitas cerca de 90 internações. Atualmente, com o CAPS, são em média apenas 9 internações. A psicológica Lia Márcia, diretora da unidade, defende que as internações devem ser sempre a última opção, escolhida apenas quando existe risco à vida do paciente e das pessoas que convivem com ele.

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