Reforma ortográfica: época de adaptação!

                                                                         Ana Carolina de Melo -25/03/2009

Com a reforma, as letras “k”, “y” e “w” agora fazem parte do nosso alfabeto

Com a reforma, as letras “k”, “y” e “w” agora fazem parte do nosso alfabeto

Oficialmente desde primeiro de janeiro o Brasil tem uma nova escrita obrigatória. Fruto do acordo de unificação ortográfica que pretende padronizar a escrita nos oito países que falam português no mundo: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal. O português é atualmente a terceira língua mais falada do Ocidente.

No Brasil, 0,5% das palavras vão sofrer alterações. Em Portugal este índice é de 1,6%. Deste ano até 2012 está previsto um período de adaptação as novas regras. Nas escolas, cursinhos e universidades a reforma ortográfica já é tema de aulas e de debate. (Alguns sites disponibilizaram ferramentas interativas com o que mudou)

Para permitir a atualização dos profissionais de ensino, a Prefeitura de Juiz de Fora está promovendo um curso para os professores do primeiro ao nono ano da rede municipal. O curso busca aperfeiçoar o aprendizado da língua portuguesa pelos alunos, principalmente em período de alterações como o de agora. Para a professora Raquel Iveth de Oliveira, a expectativa é que o curso possa sanar as dúvidas dos profissionais: “neste primeiro momento consultar as novas regras vai ser indispensável”.

Palestra do lingüista José Fiorin na Faculdade de Letras da UFJF discute a unificação

Palestra do lingüista José Fiorin na Faculdade de Letras da UFJF discute a unificação

Na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) a Faculdade de Letras tem promovido palestras e seminários para discutir as mudanças na escrita do país e preparar os futuros profissionais. A aluna do curso de Letras da UFJF, Martha do Nascimento Lohse, considera a alteração ortográfica desnecessária. Para ela, a língua portuguesa, já passou por reformas excessivas, o que acaba dificultando a vida de quem escreve e de quem lê.

Entre os que defendem a alteração, um dos principais argumentos é que a medida vai viabilizar um intercâmbio maior de conhecimento entre oito países e agilizar o mercado editorial. Livros, inclusive os científicos, e materiais didáticos poderão circular sem necessidade de revisão, como já acontece em países que falam espanhol. Em âmbito internacional, a unificação estimula os organismos internacionais a adotar o português entre os idiomas oficias. Atualmente, essas entidades precisam produzir documentos no português do Brasil e de Portugal.

Para professora Teresinha Scher a reforma é política

Professora Terezinha Scher

Diante disso, a diretora da Faculdade de Letras da UFJF, professora Terezinha Scher, considera a reforma política, e avalia que os interesses editoriais foram decisivos na unificação da escrita. Ela minimiza a preocupação dos que temem as mudanças técnicas dizendo que a adaptação virá em pouco tempo.

Já o especialista em lingüística e também professor da Faculdade de Letras da UFJF, Mário Roberto Zágari, considera que ortografia é memória visual e que não é algo para ser mudado. Para ele, diante da dificuldade de adaptação, os oito países que ratificaram o acordo vão acabar desistindo da unificação escrita.

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4 Respostas para “Reforma ortográfica: época de adaptação!

  1. Pingback: Destaques da Edição de 25/03 a 31/03 « Juiz de Fora Online

  2. dehnobre

    Talvez iniciativas como o curso oferecido pela cidade ajudem a adaptação das pessoas às novas regras. Acho essa reforma totalmente desnecessária.

  3. JaqueHarumi

    Acho fantástica a idéia* de termos tornado comum a Língua Portuguesa nos países que a têm* como oficial, mas confesso que está difícil “desaprender” as regras ortográficas que para mim estavam tão claras.
    Politicamente coerente… talvez seja essa a motivação para começar a mudar o que sempre esteve tão certo (desde que aprendi minhas primeiras palavras).

    * sim, com acento!

  4. marianafranzini

    A reforma ortográfica ignora as particularidades que a língua assumiu em cada país. É uma pena ver a padronização de diferenças que enriqueciam o idioma, ler um livro e pela escrita não saber se é um texto brasileiro ou moçambicano.

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