Um banho de água fria

Represa de São Pedro: Falta de legislação faz com que construções não respeitem distância mínima dos mananciais

Represa de São Pedro: Falta de legislação faz com que construções não respeitem distância mínima dos mananciais

Henrique Vale  25/03/2009

No último domingo, 22, foi comemorado o Dia Internacional da Água. Em todo o mundo aconteceram manifestações motivadas por essa data. Segundo as estatísticas, não temos motivos para comemorar. De acordo com a ONU, cerca de um sexto da população mundial, o equivalente a um bilhão de pessoas, sofre com a falta de água potável.  Em Juiz de Fora, a Companhia de Saneamento Municipal (Cesama) promoveu uma série de encontros para celebrar a data comemorativa. Até o coral da empresa realizou apresentação na manhã do sábado, 21, no Calçadão da Halfeld, ponto de maior movimento da cidade.

Veja abaixo um vídeo sobre os eventos realizados pela Cesama e qual é a responsabilidade da empresa em fiscalizar as mananciais de Juiz de Fora:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

A água de Juiz de Fora vem de três fontes principais: a represa João Penido (50%), o ribeirão Espírito Santo (40%) e a represa de São Pedro (8%). Os 2%  restantes vêm de poços artesianos.

Segundo Pedro Machado, professor do Departamento de Geociências da UFJF, a única área de manancial que possui regulamentação pela Lei de Uso e Ocupação em Juiz de Fora é a represa João Penido. “A represa de São Pedro perdeu cerca de um quinto de sua capacidade de armazenamento pelo mau uso do solo. Na década de 80, durante a implantação da BR-040, cortes e aterros que foram realizados próximos à represa fizeram com que muito material fosse depositado no manancial, causando assoreamento”, explica o professor Pedro.

O professor ainda alerta que a represa de Chapéu D´Uvas, o futuro do abastecimento de água da cidade, também não possui controle de ocupação do solo e que assim, sua capacidade e a qualidade da água podem correr riscos. Apesar do assoreamento ser um fator natural ele é acelerado pelo mau uso do solo. Melhor seria que o Dia Mundial da Água trouxesse medidas práticas de prevenção ao invés de se limitar a palestras e apresentações de corais, como foi feito em Juiz de Fora.

Escute no player abaixo a íntegra do depoimento do professor Pedro Machado: 

Uma resposta para “Um banho de água fria

  1. JaqueHarumi

    Realmente por mais que se alerte em relação aos recursos hídricos, o processo de conscientização é lento.
    Enquanto num nível maior a discussão é a água como direito ou necessidade humana, num nível individual ainda não se vê bem definido um posicionamento em relação à água.
    O fato é que a preservação da água é fundamental – junto a outras preservações ambientais, indiscutivelmente:
    Vocês já pararam para pensar como anda a produção/separação/destinação do lixo e o armazenamento/desperdício dos alimentos na cidade?
    É um conjunto de fatores que me intrigam quando penso no atual pensamento ecológico dos juizforanos.

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