Entrevista com a investidora da bolsa Aline Zimmermann – Lá vem a marola

Tiago Vieira 15/03/09

Quando você começou a investir em ações? Por qual motivação?

Comecei a investir na bolsa no ano de 2007. Um ano em que o investimento em ações no Brasil enchia os olhos de qualquer pessoa. Eu via que uma ação estava subindo e comprava. Fui aprendendo aos poucos e perdi muito com a minha falta de conhecimento, mas hoje me sinto mais segura para operar na bolsa.

É um investimento mais lucrativo que os convencionais, mesmo o sendo de maior risco?

Não há nenhum investimento que traga o retorno que uma ação pode trazer, já cheguei a ter um lucro de 85% numa operação em que você acompanha o mercado, compra e vende ações no mesmo dia, conhecida como “day trade”. Mas com essa mesma facilidade você também pode perder tudo, então é bom ter cautela e começar investindo pouco.

Muitos juizforanos investem em ações?

Os investidores têm aumentado progressivamente, principalmente em cidades onde a parcela de estudantes é alta como Juiz de Fora.

Suspeitava pelas cotações dos papéis que “algo grande iria acontecer”, no que diz respeito à recessão norte-americana?

Assino periódicos sobre o Mercado Financeiro, por este motivo, já tinha lido a respeito da crise no início de 2008, mas nenhum analista chegou a prever uma recessão americana com essas proporções.

E na atual conjuntura do mercado? Continua investindo?

Eu acho que agora é um ótimo momento. Papéis que já comprei por R$ 54,00 chegaram a valer R$ 23,00 neste ano. Devido a incertezas sobre a gravidade e duração da crise, não há um consenso sobre o rumo que a bolsa brasileira tomará neste ano, mas eu acredito que investir em empresas sólidas como Petrobrás e Vale do Rio Doce pode ser uma boa alternativa, porque após a crise as ações dessas empresas vão subir muito. E é nesse momento que quero vender as minhas!

O que teria a dizer sobre a declaração do presidente Lula de que “Lá (nos EUA), ela (a crise) é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar”?

Comentário infeliz não é mesmo? Somos muito dependentes da economia norte-americana e os reflexos sentidos nos papéis brasileiros são em função da alta queda da taxa de exportação. Não corremos tanto risco de chegar ao ponto dos EUA porque as instituições financeiras brasileiras são muito sólidas. O Brasil é um país muito mais comedido para conceder crédito e possui mais garantias de risco nas operações com grandes valores. Mas é claro que sofreríamos todas as influências.

De fato, a crise demorou um pouco para surtir por aqui reflexos. Mascarada por intervenções do governo que não chegam nem próximo ao pacote de resgate econômico dos Estados Unidos. Mas enfim chegou! Como analisa a atual conjuntura do mercado nacional e seus prospectos para o futuro?

Acredito que economia tende a se reerguer! Os pacotes milionários de reestruturação dos continentes vão surtir efeito. O Brasil fica “de molho” até que tudo se acerte lá fora, mas uma coisa é certa: aqui nós estamos muito mais seguros para investir do que lá fora!

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