O significado do Dia do Trabalho

Ana Carolina de Melo 29/04/2009

No Brasil e em muitos países do mundo, o dia 1° de maio é celebrado como o Dia do Trabalho. A data foi escolhida em homenagem a lutas sindicais ocorridas em Chicago, um dos principais centros industriais dos Estados Unidos, no ano de 1886. Nesse dia milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho e uma greve geral foi deflagrada.

Manifestações e conflitos em Chicago, em 1886

Manifestações e conflitos em Chicago, em 1886

Segundo o professor de História Contemporânea da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcelo Romero, o movimento pacífico dos operários norte-americanos tinha como principal objetivo a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Dois dias após o início da Greve Geral, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos operários e incitou outros enfrentamentos com policiais.

Conforme relata Romero, no dia seguinte, num conflito de rua, uma bomba foi atirada contra os policiais, o que provocou a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi o assassinato de dezenas de trabalhadores. Estes acontecimentos ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket, e a data passou a ter grande representatividade para o movimento operário.
O primeiro país a instituir o 1° maio como feriado nacional foi a França, em 1919, após o Senado francês ratificar as 8 horas como jornada oficial de trabalho do país. No ano seguinte, a Rússia soviética seguiu o mesmo exemplo. No Brasil, a data tornou-se oficial, em setembro de 1925, a partir de um decreto do então presidente Artur Bernardes. (Confira um pouco mais sobre a história do 1° de maio no Brasil)

Comemoração do Dia do Trabalho, na Era Vargas

Comemoração do Dia do Trabalho, na Era Vargas

Durante muitos anos, os governos brasileiros utilizaram o Dia do Trabalho como o dia oficial de anúncio do aumento do salário mínimo. Especialistas apontam esse fato como tendo contribuído para o caráter massificador da data, no Brasil.

Momento de celebração ou luta?

Para o Coordenador Geral do Sindicato dos Trabalhadores de Instituições Federais de Ensino de Juiz de Fora (SINTUFEJUF), Paulo Dimas de Castro, o 1° de maio é um momento de reivindicação por mudanças sociais.

“Para que o 1° de maio fosse lembrado muitos trabalhadores morreram, foram presos e torturados. O nosso entendimento é que essa é uma data de luta e não um momento para ficar se realizando shows com artistas ou para se sortear carros ou casas, como tem ocorrido ultimamente”, diz.
Nos últimos anos, grandes organizações de trabalhadores do país, como a Força Sindical, no estado de São Paulo, promovem, no 1° de maio, grandes shows com nomes famosos da música popular e sorteios de casa própria.

Celebração organizada pela Força Sindical, na capital paulista, em 2007

Celebração organizada pela Força Sindical, na capital paulista, em 2007

Segundo o cientista político do Departamento de Ciências Sociais da UFJF, Diogo Tourino de Souza a perda de simbolismo não é exclusividade do 1° de maio, este é um fenômeno que ocorre em todas as datas, como o Natal ou a Páscoa. De acordo com Tourino, no caso específico das atuações das frentes sindicais, elas possuem oposições dentro das próprias organizações: “este tipo de atitude é com frequência criticada, inclusive internamente”.

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Trabalhadores terceirizados não possuem as garantias da CLT

Trabalhadores terceirizados não possuem as garantias da CLT

A questão do desemprego e do crescimento de postos informais de trabalho é uma das temáticas mais abordadas em uma data como o 1° de maio. Para muitos economistas, empresários e políticos contemporâneos a rigidez das leis trabalhistas, por meio de uma proteção excessiva, cria entraves à empregabilidade. A partir do final da década de 1980, com o neoliberalismo, todo o quadro internacional aponta no sentido dessa desregulação.
Segundo o professor de Macroeconomia da UFJF, Cláudio R.F. Vasconcelos, leis trabalhistas rígidas dificultam o crescimento econômico. Conforme o professor, atualmente, benefícios como o 13° salário e férias são responsáveis por um aumento de custo de 40% para o empregador em relação ao salário do empregado, o que incentiva a informalidade. O economista, enxerga a diminuição de impostos e de encargos sociais como uma boa alternativa para trazer à formalidade milhares de trabalhadores do país. Segundo ele, contribuições sindicais e com entidades como o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) poderiam ser reduzidas.

Diogo Tourino de Souza, cientista políttico da UFJF

Diogo Tourino de Souza, cientista político da UFJF

Nos últimos anos, muitas empresas e instituições têm terceirizado sua mão-de-obra como uma alternativa para burlar as leis trabalhistas. Nesse tipo de contratação o trabalhador não cria nenhum vínculo com a entidade empregadora e não há direitos sociais envolvidos.

O cientista político Diogo Tourino considera a legislação trabalhista brasileira como uma iniciativa aberta do Estado em promover justiça social, em uma realidade onde o mercado não a promove.

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3 Respostas para “O significado do Dia do Trabalho

  1. Pingback: Destaque das Matérias Especiais: Março e Abril de 2009 « Juiz de Fora Online

  2. isso dis tudo o quê é o dia do trabalho.

  3. esse foi um dos comentarios mais importante para minha pesquisa.
    Obrigada pela ajuda””!

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