Vivendo em um patrimônio histórico

Fernanda Viana  24/06/2009

“É fantástico morar nesta casa antiga. Parece que ela tem alma. Dizem que existe uma energia dos moradores antigos gravados na edificação, principalmente na madeira”, declara a professora de português e advogada, Neusa Rezende, que solicitou o processo de tombamento da casa onde mora, há seis anos. O imóvel, localizado na Rua Santos Dumont, pertencia à família Barata, de Juiz de Fora, e foi vendido para Neusa, em 16 de fevereiro de 1984.

Neusa Rezende adquiriu a casa em 1984

Neusa Rezende adquiriu a casa em 1984

“Toda vida gostei de imóvel antigo. As pegadas humanas aparecem inclusive na arquitetura, o que possibilita uma análise política, social, econômica e, claro, arquitetônica de uma época”, ressalta o interesse pela casa. Ainda, Neusa diz que a casa oferecia todos os atributos de que necessitava, e um quintal amplo que, até hoje, conserva as árvores frutíferas, como urucum, laranja da terra e cacau, plantadas pela Dona Odete, antiga proprietária.

DSC08558A casa foi construída em 1932 e possui um estilo arquitetônico neoclássico, observado em seus detalhes, em especial nas colunas. “Definitivamente, é aqui que vou viver até o fim da minha vida. E quero passar este amor, que eu e meu marido temos pela casa, para os meus filhos”, comenta Neusa, que comemora bodas de ouro, na próxima semana.

Neusa ressalta a satisfação pessoal em tomar conta de um patrimônio para a cidade: “Devemos tudo o que somos e que temos a Juiz de Fora, então, eu acho que é o mínimo que posso fazer para retribuir isso à cidade: preservando uma parte da sua história”.

Villa Corina - Casa da mãe da Neusa que também foi tomabada

Villa Corina - Casa da mãe da Neusa que também foi tombada

A professora permitiu também o tombamento da casa da sua mãe, esquina da Antonio Dias com Batista de Oliveira, que é dotada de um estilo colonial português. O processo foi requisitado pela Prefeitura da cidade. “Quando o casarão “Villa Iracema” estava à venda, eu passei a jogar na Mega Sena, na esperança de comprar a casa para preservar”, conta Neusa.

“O bilhões de turistas que visitam as pirâmides do Egito e os templos gregos, por exemplo, estão à procura da história destes povos. Roma, Paris e as muralhas da China não atrairiam tantos turistas se não fosse a singularidade de suas edificações”, diz ela.

A professora mora em Juiz de Fora, desde 1949, e conta que já assistiu a demolição de verdadeiros palácios da cidade. “Poderia a cidade antiga ter ficado aqui e construído a cidade moderna nas regiões mais afastadas, como foi feito em Roma”, observa.

Neusa termina a entrevista fazendo uma citação do poeta francês Vitor Hugo: “Depois que a beleza é criada, ela não pertence mais a quem criou, mas a toda a humanidade”.

Veja também a matéria Patrimônios tombados contam a história da cidade

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