Exigir ou não exigir o diploma?

Jaqueline Harumi – 8/04/09

A decisão do recurso contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista foi adiada do dia 1º de abril para data indefinida. O Supremo Tribunal Federal (STF) iria julgar o recurso movido pelo Sindicato de Rádio e TV de São Paulo e pelo Ministério Público Federal. O impasse da exigência do diploma não é recente e, os jornalistas profissionais veem a história se arrastar diante de uma infinidade de prós e contras.

Lúcia Schimdt: "Você melhora a qualidade do curso, não extingue"

Lúcia Schimdt: "Você melhora a qualidade do curso, não extingue"

Há 24 anos no Sindicato dos Jornalistas de Juiz de Fora e 33 na profissão, Lúcia Schimdt não se assusta com o adiamento. “Há um contrassenso dentro do próprio governo. Enquanto quer reavaliar cursos, modificar a grade, melhorar a qualidade, uma faceta jurídica do governo (o Supremo Tribunal Federal) quer extinguir a obrigatoriedade do diploma”, expõe.

A favor da obrigatoriedade

selo-campanha-fenaj1O jornalista e professor Adilson Zappa, primeiro diretor da Faculdade de Comunicação da UFJF, acredita que o diploma é “uma forma de resguardar e dar dignidade à profissão”. Para ele, as técnicas e o conhecimento necessários para o exercício profissional só são  adquiridos com o exercício da profissão. “Em um ou dois anos, quem nunca teve técnica e prática não vai aprender. Além disso, como se pesa ou mede o talento?”

Lúcia Schimdt compartilha dessa opinião. “O talento não aflora só no mercado de trabalho, ele também aflora dentro de uma instituição, particularmente de ensino superior, onde se desenvolve uma visão crítica de mundo, os princípios éticos, além da parte técnica da formação”, afirma.

Como uma das diretoras do Sindicato de Jornalistas, Lúcia apóia a campanha da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) pela regulamentação do Jornalismo. Ouça a entrevista com a sindicalista.

Luta contra os grandes

Ambos os entrevistados acreditam em um fator comum para essa obrigatoriedade dar “tanta dor de cabeça”: os grandes da imprensa. O jornal Folha de S. Paulo é um exemplo de defesa da não obrigatoriedade. No blog “Novo em Folha”, o post de autoria da jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, “Cinco argumentos contra a obrigatoriedade do diploma”, causou furor entre os leitores.

“Essa defesa da Folha, do Estadão, do Globo, para citar alguns exemplos, se originou quando os sindicatos faziam greves reivindicatórias. Na realidade, eles buscam uma mão-de-obra com salários menores”, se posiciona Adilson Zappa. “Quem domina são os grandes conglomerados: uma comunicação pública dirigida”, completa.

Leia a publicação da Fenaj “Formação Superior em Jornalismo”

Leia artigo contrário à obrigatoriedade publicado no Observatório da Imprensa

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