Quem representa quem?

Ana Carolina Melo – 18/03/2009

Segunda-feira, 9 de março, foi uma data bastante tumultuada para os moradores de Juiz de Fora. A greve deflagrada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo de Juiz de Fora (Sinttro) deu origem a uma situação caótica, capaz de atrapalhar a rotina de grande parte da população, sobretudo daquela dependente do sistema de transporte público do município.

O Sindicato dos Rodoviários prometem nova paralisação caso não tenha suas reivindicações atendidas

O Sindicato dos Rodoviários promete nova paralisação caso não tenha suas reivindicações atendidas

O Sindicato justificou a paralisação como necessária para a defesa dos interesses da categoria. A entidade exige reajuste salarial de 11,86%, redução da jornada de trabalho para seis horas e participação nos lucros das empresas. A Associação Profissional das Empresas de Transporte de Passageiros de Juiz de Fora (Astransp) alega que não há como atender as exigências sem a aprovação do reajuste do valor da passagem.

População prejudicada com a Greve dos ônibus

População prejudicada com a Greve dos ônibus

Nas ruas, pelo menos no início da manhã, 30% da frota de ônibus ainda circulava, conforme delimita a Lei de Greve. Dentro dos ônibus grande parte dos motoristas e trocadores demonstrava-se insatisfeita com a paralisação. O que se percebeu é que a maioria dos trabalhadores não era favorável ao movimento e estava disposta a trabalhar.

Segundo Cosme João de Lima, trocador de ônibus há 23 anos, a insatisfação justificava-se pelo fato do movimento não ter sido uma iniciativa dos trabalhadores, mas uma designação patronal, que visa o reajuste das tarifas. O trabalhador acusou o Sindicato de há anos não lutar em defesa dos interesses da categoria. Segundo ele, por esse motivo, um número importante de sindicalizados tem se desligado da entidade.

Para o promotor Júlio César a Greve do dia 9 feriu os direitos da população

Para o promotor Júlio César a Greve feriu os direitos da população

O Promotor de Justiça de Urbanismo e Meio Ambiente, Júlio César da Silva, também considera a greve do dia 9 de março um movimento de cunho patronal, responsável por uma medição de força, provocação de caos urbano e insubordinação das leis. Por essa razão, o promotor entra, nos próximos dias, com uma ação, contra a ASTRANSP. Para ele, nesse caso, o direito de greve foi desrespeitado e usado como elemento de força e persuasão patronal.

O vice-presidente do Sinttro, Paulo Avesani, alega que esse tipo de acusação é completamente infundada e que tem como objetivo deslegitimar a luta da categoria. Para ele, a luta sindical sempre enfrentou dificuldades e foi perseguida. Diante do posicionamento do promotor Júlio César, Avesani o acusou de não ter competência legal e destacou o objetivo do Sindicato em entrar com uma representação contra ele.

O representante do Sinttro enfatizou que a luta da entidade por melhores condições de trabalho visa o lucro das empresas e não o bolso do usuário.

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